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BOCA
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- Sinto os lábios
carnudos,
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em minha boca desnuda,
absurda,
abusada,
revirando a língua,
misturando salivas,
inebriando os dias
de incrível jornada.

Viajo pelo céu,
pintado de cor incomum,
onde mora uma intrusa,
que fala, que magoa,
que sente e decide
o sabor,
do sorver,
de cada segundo,
profundo,
de nosso viver.

Retrato janelas
peroladas,
reclusas ou
escancaradas,
que esperam o alimento
que sustenta
e a oração que acalma.
Enquanto a boca
pequena,
chora prantos da alma
e desfia serviçais
venenos,
marcando territórios
num reles batom
vermelho.

Olhos atentos,
revirados,
revista o rosto colado,
orvalhado de
sentimentos.
E a boca fica calada,
buscando encantos,
se deliciando
em campo alheio.

Ouço breve suspiro,
esvaindo-se da boca
sedenta,
que espia um aviso,
para se mostrar inteira
no próximo sorriso.

Ah, esses lábios
carnudos
em minha boca desnuda,
é tudo o que mais
preciso.
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