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DESENHO INCOMPLETO

Desenho teus caminhos,

Teu rosto eu rabisco.

Em meu semblante esboço

Um breve, tímido, sorriso.

 

Teu corpo nu espalha-se

Entre lençóis amarrotados.

Meus olhos extasiam-se,

Em ti, debruçados.

 

Vou traduzindo –te

Nos riscos que faço.

Decorando cada pelo e poro,

De teu perfeito traço.

 

Meus olhos abraçam-te.

Minha mente vagueia.

No tempo que não te alcanço,

Meu corpo se incendeia.

 

Minhas mãos no papel encontram,

O corpo que não podem tocar,

É apenas sutil imagem,

Que passo os dias a retocar.

 

O Sol poente outra vez se faz.

Lágrima a se espalhar,

Lavando minha provisória paz

Desse incontido ato de te amar.

 

Teu desenho ficou incompleto,

Inteiro apenas em minha mente,

No papel virou borrão descoberto,

Indefinido e inconsistente.

 

Imagem de Jean Flandrin Hippolyte ( 1809-1864) ,

Jovem nu sentado à beira-mar, 98x115cm, Museu do Louvre, 1836

 
 
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