Desventura Humana

 

 
Vergonha!

 

Abismada, me recurvo ante minha figura,
na patética condição de humana.
 
Ataques terroristas,
desse mundo capitalista,
consumindo vítimas inocentes,
que não disputam poder, nem interesses,
mas que se tornam
joguetes políticos e religiosos.

 

Durante milênios
da consolidação das civilizações,
dos seres considerados racionais,
homens destroem
todos os sonhos e esperanças,
destroem por orgulho e individualismo,
em busca de riquezas, por pura ganância.

 

 
Maldade exacerbada,
lançando sangue à terra maculada,
manchando a alma
da condição humana.
O caminho lodoso,
se faz carmim,
travestido nas faces o desgosto,
da população assolada.
Corações arrasados da nação.
onde muitas pátrias
mostram o pior
a cada geração.
 
Vergonha!

 

Abismada me recurvo,
fazendo uma oração.
 
O tempo já tão breve e atribulado,
pela estupidez é controlado.
Monstruosidade de gente,
ou somos mesmos monstros dementes,
descontrolados e mascarados?
Os estrondos do terrorismo
ouvimos sempre:
na violência que se tornou banalidade,
na fome, no racismo, na incompreensão.

 

Qual o futuro da humanidade,
mergulhada em tamanha crueldade?

 

 
Se nada for alterado nas  concepções,
chegará um tempo maldito,
que esgotará a vida humana,
tão desumana em suas ações.

 

 

Restará a individualidade,
a incapacidade de amar.
Não haverá mais tempo 
para a sensibilidade.
Não haverá mais tempo para chorar.

 

 
Vergonha!

 

Abismada, começo a orar,
ante a desventura humana,
até não mais me levantar.

Som: The Falls
Edição de imagens por Cléa Rubiane
Copyright ©Cléa  Rubiane
   
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