- Minhas
mãos frêmitas
e sozinhas
- buscam
o papel virgem,
- esvaziando-me
nas rubras linhas,
- que
elas subitamente tingem.
-
- Olhares
curiosos acentuados,
- veem
verterem de minhas mãos pálidas,
- ideias
e sentimentos perpetuados,
- nas
entrelaçadas linhas cálidas.
-
- Mais
do que eu a mim mesma: conhecer-me-ão!
- Nas encanecidas folhas, estarei derramada,
- experimentando
toda reflexão,
- nas
rasuras desordenadamente espalhadas.
-
- Nesse
hábito incontido, ponho máscaras,
- em
paz disfarçadamente.
- Amordaço
minhas elucidações mais caras,
- amarro
minhas alucinações emergentes.
-
- Nesse
aflorado pensamento,
- é
mister meu hermetismo.
- Contudo
minha faina é meu lamento,
- também
meu fanatismo.
-
- Minhas
mãos traem-me; tremem,
- demonstrando
sentidos reprimidos,
- pela
dissimulação pungente,
- ou
tantas vezes pelos bramidos.
-
- Arranco
cada folha, amasso-as sem esperanças.
- Descubro
ao longo do tempo,
- que
levou minhas temperanças,
- restaram-me
palavras soltas ao vento.
-
- Na
ânsia vã de calar-me; desiludida,
- Descubro
que não existe destino,
- que
me encontro onde me achava perdida,
- inteira,
sem retoque, sem desatino.
-
- Inundando
a todos com minhas emoções,
- também
pelas razões inerentes,
- agora
me permito sem restrições,
- que
de minhas mãos façam-se vertentes.