Minhas Mãos

Minhas mãos frêmitas  e sozinhas
buscam o papel virgem,
esvaziando-me nas rubras linhas,
que elas subitamente tingem.

 

 
 
Olhares curiosos acentuados,
veem verterem de minhas mãos pálidas,
ideias e sentimentos perpetuados,
nas entrelaçadas linhas cálidas.

 

 
 
Mais do que eu a mim mesma: conhecer-me-ão!
Nas encanecidas folhas, estarei derramada,
experimentando toda reflexão,
nas rasuras desordenadamente espalhadas.

 

 
 
Nesse hábito incontido, ponho máscaras,
em paz disfarçadamente.
Amordaço minhas elucidações mais caras,
amarro minhas alucinações emergentes.
 
 

 

Nesse aflorado pensamento,
é mister meu hermetismo.
Contudo minha faina é meu lamento,
também meu fanatismo.

 

     

 

Minhas mãos traem-me; tremem,
demonstrando sentidos reprimidos,
pela dissimulação pungente,
ou tantas vezes pelos bramidos.

 

 
 
Arranco cada folha, amasso-as sem esperanças.
Descubro ao longo do tempo,
que levou minhas temperanças,
restaram-me palavras soltas ao vento.

 

 
 
Na ânsia vã de calar-me; desiludida,
Descubro que não existe destino,
que me encontro onde me achava perdida,
inteira, sem retoque, sem desatino.

 

 
 
Inundando a todos com minhas emoções,
também pelas razões inerentes,
agora me permito sem restrições,
que de minhas mãos façam-se vertentes.

 

   
Flash por Rubiane sobre desenho de Stephanie Puí-Mun Law
Som: Kiss me

 

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